CUIDADO! Você está sendo "potencializado"!
- Rebeca Balaniuc

- Jun 6, 2020
- 3 min read

Tenho certeza que você já viu ou ouviu falar, bem recentemente em alguns desses movimentos: "Black Lives Matter", "Blackout Tuesday", "Na rua pela educação", "Climatestrike", "8 Can't Wait", "Wear Orange", "Justiça por Miguel"; protestos, protestos e mais protestos...
Querem derrubar governantes do poder, querem erradicar a supremacia branca nas altas escalas da sociedade, querem justiça por uma morte horrível, querem estabelecer limites, querem os policiais muito mais humanizados, querem saúde e educação, querem que todas as vidas importem! E eu também quero, eu também apoio!
MAS, se você já olhou mais clinicamente para tudo isso o que está acontecendo, você percebeu que numa onda de protestos honestos, importantes e essenciais, algo que cheira à gasolina está sendo semeado na mente da população mundial e já está pegando fogo! É a potencialização de algo, à princípio, muito justo.
Em 1960, os EUA foram marcados por protestos muito mais que justos pelo fim da segregação racial. Nessa época, negros e brancos ainda eram separados em vários setores da sociedade, como em escolas, bancos dos ônibus, igrejas (...).
Todo o ato que acontecia por justiça a uma classe que já tinha sofrido tanto, era pacífico. Até que em 1968, com o assassinato do maior líder dos movimentos raciais dos EUA - Martin Luther King Jr. - a onda de protestos se tornou violenta e intensa. Ainda assim, ou talvez por conta disso mesmo, as autoridades rapidamente começaram a criar algumas leis e quebrar outras para uma sociedade mais igualitária.
Para o nosso espanto, mais de meio século depois, ainda existem pessoas racistas, ainda existem mentes atrofiadas, ainda estamos mergulhados num caos que parece que jamais terá um fim.
Levando em consideração tudo isso, às vidas que se perdem pela violência, desprezo, descaso e desigualdade, nosso mundo continua repleto de vozes que gritam a plenos pulmões por mais igualdade, pelo fim do racismo, por leis mais justas, por humanidade, por probidade e retidão.
Meu ponto em tudo isso é: Lutar por justiça não é o mesmo que lutar por vingança. Essas são duas coisas infinitamente diferentes.
Com a disseminação das mídias sociais na velocidade da luz, com a internet cada vez mais presente na vida do ser humano, muita gente se inflama pelas causas sociais e entra num caminho que pode ser sem saída.
Quando lutamos por igualdade e justiça, porque fomos duramente oprimidos e injustiçados, não podemos pagar com a mesma moeda, ainda que essa seja a nossa vontade mais honesta e sincera (sim, claro!). O que a internet faz com essa multiplicação de movimentos e com essa visibilidade de ações sociais que buscam por justiça, é jogar combustível nas nossas crenças, na nossa sede de justiça, nas nossas lágrimas, nas nossas mais profundas dores. E se você pensar bem, uma alma carregada de sentimentos profundos + gasolina + fósforo, só pode levar ao desequilíbrio, à mais separação entre as classes da sociedade, e à mais ódio, rancor, e sentimento de vingança.
Por isso, queridos, cuidado! Cuidado com o que sua mente está se inflamando. É justo, justíssimo, lutar por um mundo mais igualitário, humano, solidário, compassivo, altruísta e pacífico. Mas é perigoso atear fogo a um coração que sangra, a uma alma despedaçada.
As vidas que se foram e se vão todos os dias, não voltarão. Dói muito tudo isso, mas a força que devemos tirar desse sofrimento é mais amor, mais compaixão, mais paz! Assim devemos agir uns para com os outros. As mentes das próximas gerações só serão transformadas se nós as transformarmos. Precisa partir das nossas ações diárias, da nossa fala, da nossa demonstração de compaixão e de união. E a força que devemos levar no peito é um clamor por uma justiça que não incinere as nossas lícitas, boas e íntegras intenções.



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