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Segredos Familiares

  • Writer: Rebeca Balaniuc
    Rebeca Balaniuc
  • Jul 23, 2019
  • 4 min read

"Para onde Fulano foi nas últimas férias?"; "E, Ciclano, já está melhor de saúde?"; "Soube que dona Maria está com um problema com uma de suas vizinhas"; "Você viu que o casamento do Beltrano acabou mês passado?"...


Com um único clique você, eu e alguém lá do outro lado do mundo, pode saber de todas essas perguntas e afirmações acima.

A internet virou álbum de família, conversa de psicólogo, rinque de discussões acaloradas, point das últimas notícias! O que você quiser saber sobre qualquer pessoa, você vai encontrar. Claro, a não ser que você queira saber sobre um desses "esquisitões" que não possuem nenhuma rede social... eles ainda existem?


No passado, talvez eu ou você tivesse uma discussão acalorada com alguém por algo que tenha surgido em alguma roda de conversa comum. Hoje, eu mal preciso abrir o Facebook para descobrir que um amigo é ideologicamente contrário às minhas convicções. Isso pode ser o estopim para alguma guerra sem sentido.

Quando passeamos de férias, ou visitamos um lugar legal, logo nos lembramos dos "stories" a cada segundo, e de tirar muitas fotos para que todos vejam nossa felicidade. Gasta-se mais tempo olhando através da lente de um celular, do que olhando com nossos próprios olhos e admirando algo que está lá, naquele momento, para você ver, e não, talvez, para o resto do planeta!

Hoje, não se perde contato com uma única alma vivente que tenha passado pela sua vida em determinado momento. Ou você acha ela, ou ela te acha.

Estamos com nosso HD mental totalmente preenchido de toda a forma de inutilidades e de vida alheia que se possa imaginar! Queremos ter o corpo da modelo, a vida da fulana, o emprego da ciclana e os filhos sorridentes da prima do amigo da mãe da nossa tia! Eita confusão!


Determinada brincadeira interna dos meus filhos com o pai, me fizeram criar esse post. Claro que não vou revelar que brincadeira é essa (rs), mas é exatamente coisas assim que faltam para nós. Quando você e sua família tiveram algum segredo interno, ou uma piada interna? ...Algo que só vocês sabem e conhecem que os fazem rir? Quando vocês visitaram algum lugar em um feriado e não se lembraram do celular, porque passar tempo juntos era muito mais divertido? Quando você acordou e a primeira coisa que fez foi orar?


Nosso celular, nossas redes sociais, a vida que mostramos online, e a vida dos outros, parece muito mais interessante do que aqueles que vivem debaixo do mesmo teto que nós. Como isso foi acontecer?

Vivemos numa sociedade cada dia mais doente, poque é necessário ter, viver, mostrar, sentir, ser, e esquece-se de doar, chorar, amar, sorrir, cantar, dançar, viver! Parece que tudo está condicionado ao que os outros vão pensar, ou se somos interessantes para sermos seguidos por centenas de seguidores. Até mesmo quando estamos prestes a fazer uma boa ação, precisamos ser filmados, fotografados. Nada mais importa, se não pudermos expor.


Ainda que se viva uma tempestade, muitos de nós a expomos e viramos alvo de "achismo" de quem quer que seja, conhecido ou não. Fazemos parte de um tribunal de julgadores interesseiros e interessados em sugar tudo o que foi nos dado para ser ímpar. Mas calma, não aponte seu dedo. Você e eu também agimos como esses julgadores interesseiros.

Pode ser que você tenha tido um namoro há 15 anos atrás. Hoje, você está casada e a pessoa também, mas a curiosidade não te impede de visitar regularmente o perfil do fulano! Liberte-se!

Pode ser que você tenha tido amizades boas ou ruins que já ficaram no passado. É legal manter um contato, mas pra quê continuar vivendo a vida da pessoa através das redes sociais como se vocês ainda convivessem num mesmo ambiente? Você acha mesmo que sobra tempo para se interessar verdadeiramente por quem está perto de você?


Sabe, vou confessar aqui. Sou filha de pastor e sempre nos mudamos muito. Sempre que eu deixava determinado lugar e amizades, sofria de verdade por muito tempo. Sempre tentava manter contato, o que é bom, mas eu fazia além disso. Eu queria saber como estava a escola, e como os professores tinham dado aula naquele semestre. Eu queria saber como caminhava a igreja que tínhamos deixado, e como eram os cultos. Eu queria saber das fofocas e novidades todas que vinham daquele lugar, mesmo que eu tivesse morando em outro por algum tempo. E depois que deixava esse novo lugar, fazia o mesmo com ele. Isso só me fez sofrer mais. E não digo que eu deixei de viver, não. Pelo contrário. Acabava que eu vivia intensamente o lugar que era para eu viver, e também aquele que eu deveria deixar no passado.

Enfim, contei tudo isso aqui para te fazer pensar.


Você tem dado valor à sua família? Você tem criado memórias que serão guardadas apenas nos corações interessados de verdade - ou seja, o de vocês?


Te desafio, hoje, a viver em vez de mostrar que vive. Te desafio a ter brincadeiras e piadas internas que só vocês sabem, e não a tia, a vó, a sogra ou o primo! Te desafio a desligar um pouco a tecnologia, seja ela qual for, e olhar demoradamente dentro dos olhos de seus filhos para perceber cada detalhezinho que o Criador pintou neles. Te desafio a contar uma história aos seus filhos, ou a passar uma hora conversando com seu marido. Te desafio a jogar um jogo de tabuleiro em família, ou a dançar todos juntos na sala uma música engraçada.

Dê a meia volta. VIVA!



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